domingo, 5 de julho de 2009

Olá ..bem vi o jogo de ontem do flamengo e vi que o Adriano nada jogou.. Adriano sou sua fã mais ontemm.. nadinha.. vc sabe que tem potencial pra jogar melhor.. vc sabe disso..li sim o colunista e algumas coisas concordo..acho mesmo que tem horas que preferimos fechar os olhos a ver o que realmente acontece.. mais erramos como ele tb e queremos sempre dar uma 2 chance.. e como num casamento na alegria ena tristesa..mais para provar que nem sempre passo a mão na cabeça dele tá ai.. a materia.. bjs

O Império dos sentidos

sáb, 04/07/09
por gustavo poli |
ca

O traje imperial tende a ser sumário – tem apenas dois itens obrigatórios. O chinelo. E a bermuda. Adriano é um imperador pé-descalço – ou quase – um imperador de Joãozinho Trinta. Prefere o lixo ao luxo, o despojamento à ostentação. Antes a favela do que o condomínio cercado. Usa seu cordão de ouro, um brinco sugestivo… vá lá. Mas não traz apartamentos no pulso. É capaz de trocar o mega-carro pela garupa na moto – sem camisa, com ocasional exposição de cofre. E, acima de tudo, é capaz de dar de ombros. Por isso voltou ao Brasil – para dar de ombros. Para poder dizer (e sentir) que não está nem aí.


Estátua partida de Adriano, o Imperador original

O Flamengo sabia o que estava comprando. Adriano queria ficar perto dos amigos e curtir a vida. Ele tem dinheiro para gastar por 12 gerações. Quer bater papo, soltar pipa, andar de bermudão, relaxar, tomar sua cerveja, aproveitar a vida de solteiro… e até jogar sua bola. E tem todo direito de fazê-lo. Mas… talvez não tenha percebido que, mesmo no Rio, dar de ombros não é de graça. Aqui também existem papparazzi, sites de celebridade e marcação.

Imperativo, na vida de Adriano hoje, é o verbo curtir. Tudo o que pode vagamente parecer entediante… ele tenta driblar. Em um mês de Flamengo, já foram três faltas. As causas de cada ausência – ou supostas causas – importam menos. O que importa é a velocidade com que Adriano está estraçalhando sua imagem. O engraçado é que boa parte da torcida do Flamengo se irrita com a imprensa – como se os jornalistas devessem fechar os olhos. Como se fosse melhor não saber da verdade.

O argumento é singelo: Adriano recebe para resolver no jogo. Treinar é para os outros. Mas essa equação não fecha. Para jogar bem regularmente, Adriano precisa de treino. Desde que voltou, o atacante fez duas boas apresentações – ambas no Maracanã – uma contra o Atlético-PR, outra contra o time misto do Internacional. Em outras partidas se arrastou em campo. Pode arrebentar contra o Vitoria - e calar as criticas até o capitulo seguinte. Em suma – Adriano pode ser diferente… mas privilégio não costuma dar certo em futebol - meio que remixa vaidade, dinheiro e alumbramento.

As desculpas importam menos – mas ajudam a entender a onda do Imperador. Sua segunda falta, em especial, foi peculiar. Lembremos: era uma terça-feira, pós-folga de segunda, e o Flamengo treinava em dois períodos no Ninho do Urubu, em Vargem Grande, zona oeste do Rio. Adriano não apareceu. Tinha, explicou-se depois, uma audiência judicial. O primeiro treino era de manhã. A audiência era 13h30m. Qual o motivo da audiência? Adriano entrara na justiça contra a ex-mulher – com quem teve dois filhos - para estabelecer uma pensão alimentícia razoável. Negrito aqui: a ação é dele, não dela. Pois bem, audiência marcada para às 13h30m. E o que aconteceu?

Adriano terceirizou. Mandou a mãe em seu lugar. Ou melhor – tentou terceirizar. A juíza do caso, ao ver a mãe como preposta do filho, estrilou. Exigiu o Imperador em carne, osso e chinelo – na mesma tarde. Como há limites para o relaxamento imperial, ele teve que dar as caras – e ainda com o topete de dizer que estava lá desde cedo.

Traduzindo: é chato? Chama a mãe, um assessor ou alguém. E Lá foi Dona Rosilda ao tribunal como se Adriano realmente tivesse algum outro compromisso inadiável – tivesse, de repente, que… treinar no Flamengo. Mas… não. Adriano tinha resolvido não treinar, usando a audiência como desculpa. E depois resolveu não ir na audiência, usando a mãe como representante.


É mais que compreensível que o sonho de fenômenos e imperadores se desidrate. O roteiro do menino-pobre-que-subiu-na-vida-jogando-bola é mil vezes repetido. Ele não ganha só dinheiro. Ganha também um sistema planetário no qual faz o papel solar de fonte de dinheiro, status e celebridade. Ao seu redor giram amigos novos, parentes súbitos, parceiros velhos… gente de toda sorte. Essa corte informal fornece tapinha nas costas, adulação e toda sorte de aplauso. Os amigos que nunca dizem não, o melhor vinho, a cerveja importada, a vagaba da hora… todo prazer a um estalar de dedos. Então, qual criança a conhecer melado – o lambuzar é mais que previsível – é quase inevitável.

Muito se fala sobre o papel da imprensa nesse tipo de cenário. As celebridades se queixam do jornalismo-paparazzi, que ignora fronteiras entre vida pública e privada. Quando falamos de esporte, separar joio e trigo me parece simples. Se existe referência esportiva – interessa. Caso contrário – é material pra tablóide marrom e revista de fofoca.

Não interessa, em tese, ao público esportivo a mulher-fruta que Adriano consumiu ontem, anteontem ou hoje. Mas interessa, sim, saber que ele trocou o treino por aventuras frutíferas ou leguminosas. Que alegou indisposição estomacal às 8h… e estava comendo um cachorro-quente no quiosque às 6h da manhã. Convenhamos – ninguém acorda às seis pra tomar café-da-manhã com amigos no quiosque – e ninguém come dogão no cardápio matinal - em especial se for atleta.

Sonegar esse tipo de informação é mau jornalismo. Ou devemos voltar ao tempo em que jornalistas emprestavam garconiére para jogador em troca de entrevista e acesso? Informação só a favor, quase sempre, é desinformação. A vida particular de Adriano é, como o nome diz, particular. Mas a partir do momento em que ele deixa de cumprir com obrigações públicas… o torcedor, cliente primário do jornalista esportivo, quer saber o que está acontecendo. Por que faltou? Faltou por que?

Em outras palavras – Adriano tem todo direito de faltar a treinos e curtir a vida. Mas o torcedor do Flamengo deve ser informado sobre isso. Vivemos num mundo hiper-conectado, em que cada vez mais gente busca informações na internet – a qualquer hora, em qualquer lugar. Com nem dois meses de treino e três faltas com desculpas mais retalhadas do que o macacão de F-1 do Corinthians… Adriano encomendou um mega-holofote sobre si mesmo.

A rebeldia imperial fala muito sobre o Rio de Janeiro. Adriano é favela pura – no melhor sentido da palavra. Não tem vergonha da pobreza anterior. Adora a Vila Cruzeiro. E isso merece toda sorte de elogio. Mas no Rio… favela é quase sempre sinônimo de ausência de estado. Pois ali, onde a polícia não chega,– impera uma lei diferente, peculiar. Esses dois mundos colidem na figura do Imperador. E Adriano parece não ter entendido que certas leis do morro não funcionam bem no asfalto. A omertá, em especial, não funciona. O malandro benevolente, amigo de todos e inimigo das regras, sofre com a marcação em cima do mundo profissional.

Pelo torcedor, Adriano será julgado pelo futebol que mostrar em campo. A dúvida é se conseguirá jogar bem se levar uma vida desregrada. Mas há algo que vai além da arquibancada – algo que ultrapassa o futebol. Adriano serve de exemplo, ou deveria servir, para um sem-número de garotos humildes que enxergam nele o sonho realizado. A cada falta ou deslize, o exemplo se distorce – a imagem do Imperador perde imponência e ganha malandragem. E é nesse espelho futuro que os meninos de hoje se enxergam – imitando dribles e caminhos.

Lamentos à parte, Adriano não escreve uma história nova. Nem diferente. Em seu campo particular, brigam dois Brasis – aquele pobre que, graças ao talento e contra todos, deu certo. E aquele rico que, uma vez vitorioso, se achou dono do senado e acima das leis. É um conflito antigo, que nos diz muito sobre país e povo. Adriano, diria o presidente, não é “um homem comum”. Em tese, ninguém está acima da lei. Nem… o Imperador. Mas, na verde e amarela terra do nunca, é bom frisar o em tese.

5 comentários:

ADRIANO IMPERADOR disse...

NUSSA!QUEM ESCREVEU ISSO ,ESCREVEU DE CORAÇÃO E DISSE A VERDADE NÉ AMIGA!A GENTE DEFENDE O ADRIANO MAS NA HORA QUE ELE ERRA A GENTE TAMBEM "PUXA" A ORELHA DELE TAMBEM E ESSE TEXTO DIZ ISSO!SE ELE QUER SER RESPEITADO PELA IMPRENSA ELE TEM QUE CUMPRIR SEUS DEVERES COMO PROFISSIONAL!DESCULPA MAS EU CONCORDO COM ESSE JORNALISTA!!!BJS

louca pelo ADRIANO disse...

amiga sabe as vezes como fã doi ler isso .
concorda doeu lá no fundo será que um dia isso passa....

Adriano Imperador disse...

Doeu mesmo.. mais nem tudo ta errado né.. bjs

Camila disse...

Pois é!!! Pro bem dele, espero q o Dri leia isso também...

luciene disse...

poxa se vcs tivece a ideia do quantu eu fico triste ao ler essas coisas . mas axo q todu mundo erra .. axo q nada podi ser feito dasta o adriano ler isso é parar pra pensar ..